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Processo de vendas: o problema pode estar na operação

por Alex Almeida | ago 19, 2026 | Blog, Negócios | 0 comentários

Antes de culpar o vendedor, descubra se o verdadeiro problema está no seu processo de vendas

Uma empresa abre uma vaga comercial. Recebe dezenas de currículos. Seleciona os candidatos mais experientes, realiza entrevistas e escolhe alguém comunicativo, seguro, com bom histórico profissional e que parece entender de vendas.

A contratação parece correta.

Três meses depois, começam as dúvidas:

  • O vendedor não prospecta como esperado.
  • As oportunidades não avançam.
  • O CRM está incompleto.
  • A conversão fica abaixo do planejado.
  • O gestor aumenta a cobrança.
  • O vendedor argumenta que faltam leads, estrutura, marketing ou suporte.

Depois de alguns meses, a empresa chega a uma conclusão:

“Contratamos a pessoa errada.”

Pode ser. Porém, existe outra possibilidade que precisa ser investigada antes de substituir o profissional:

A empresa nunca definiu com precisão qual vendedor precisava contratar.

Esse problema é mais comum do que parece. Ele explica por que muitas empresas contratam profissionais aparentemente bons, investem meses na adaptação e descobrem tarde demais que aquela pessoa não consegue produzir resultado dentro daquela operação comercial.

Antes de trocar o vendedor, vale analisar o processo de vendas, o desenho da operação e as condições oferecidas para que a equipe consiga vender.

Não existe “o bom vendedor”

Existe um erro conceitual na forma como muitas empresas contratam profissionais comerciais.

Elas procuram “um bom vendedor”. Essa definição, sozinha, é incompleta.

Bom em quê?

Vendendo para quem? Com qual ticket? Em qual ciclo comercial? Com geração própria de oportunidades ou recebendo leads qualificados? Em vendas consultivas ou transacionais? Atendendo uma carteira existente ou abrindo mercado?

Outras perguntas também precisam ser respondidas:

  • A empresa tem uma marca conhecida?
  • O vendedor precisará prospectar do zero?
  • Existe apoio de marketing?
  • Há uma equipe de SDR ou pré-vendas?
  • O profissional fará apenas reuniões e fechamentos?
  • Também será responsável por propostas e follow-ups?
  • A venda exige conhecimento técnico?
  • O cliente é pessoa física ou empresa?
  • A negociação envolve vários decisores?
  • Existe um processo comercial documentado?

Essas diferenças mudam completamente o perfil necessário.

Um vendedor pode ter excelente desempenho em uma empresa e fracassar em outra sem ter deixado de ser competente. O ambiente, o produto, o mercado, a marca, o processo de vendas e o modelo de gestão influenciam diretamente o resultado.

Imagine um profissional acostumado a trabalhar em uma empresa conhecida, recebendo diariamente oportunidades qualificadas do marketing. Ele domina apresentações, negociação e fechamento.

Agora coloque esse mesmo profissional em uma pequena ou média empresa na qual precisa construir listas, iniciar conversas, prospectar ativamente e gerar as próprias reuniões.

A função mudou completamente.

O currículo continua relevante, mas a aderência à nova operação pode ser baixa.

O inverso também acontece. Um vendedor hunter, acostumado a abrir portas e gerar novas oportunidades, pode ser excelente em prospecção e ter dificuldades para administrar uma carteira que exige relacionamento, organização, acompanhamento e expansão de contas.

A pergunta mais útil durante uma contratação é:

“Esse candidato tem o perfil necessário para produzir resultado dentro da nossa operação comercial?”

Essa pergunta muda o processo seletivo inteiro.

Antes do perfil do candidato, desenhe a operação comercial

Muitas empresas começam o processo pela descrição da vaga. A operação deveria ser analisada antes.

Antes de publicar uma oportunidade comercial, a liderança precisa responder com clareza:

  • De onde virão as oportunidades?
  • O vendedor receberá leads ou precisará prospectar?
  • Qual é o ticket médio?
  • Qual é o ciclo de vendas?
  • Quem participa da decisão de compra?
  • Quantos contatos são necessários até o fechamento?
  • A venda exige demonstração?
  • Existe proposta comercial?
  • Existe negociação complexa?
  • O vendedor terá uma carteira ou começará do zero?
  • Qual volume de atividades é esperado diariamente?
  • Quais indicadores serão acompanhados?
  • Existe CRM funcionando?
  • O processo de vendas está definido?
  • Há materiais comerciais disponíveis?
  • Existe acompanhamento da gestão?
  • O vendedor receberá treinamento?

Essas perguntas parecem operacionais, mas são determinantes para a contratação.

Sem esse diagnóstico, a empresa tende a contratar com base em características genéricas:

  • Comunicativo
  • Proativo
  • Resiliente
  • Bom relacionamento
  • Foco em resultados
  • Perfil empreendedor
  • Dinâmico
  • Organizado

Essas qualidades podem ser desejáveis, mas não determinam se a pessoa consegue executar o trabalho real.

Quase toda vaga comercial poderia utilizar os mesmos adjetivos. O resultado é uma seleção com pouca capacidade de diferenciar candidatos.

A empresa precisa descrever as atividades, os desafios e os indicadores da função. Só depois deve definir as competências necessárias.

A descrição da vaga frequentemente revela o problema

Leia algumas vagas comerciais e encontrará textos semelhantes:

“Procuramos profissional dinâmico, comunicativo, proativo, com experiência em vendas e foco no atingimento de metas.”

Agora tente imaginar o trabalho real dessa pessoa.

Ela fará prospecção ativa? Atenderá leads recebidos pelo WhatsApp? Participará de reuniões? Visitará clientes? Montará propostas? Negociará contratos? Fará pós-venda? Administrará uma carteira? Qual será o volume diário? Qual será a complexidade? Qual será o nível de autonomia?

Quando a empresa não consegue descrever o trabalho real, também terá dificuldade para avaliar quem é capaz de executá-lo.

A consequência aparece durante a entrevista. Como os critérios são vagos, a escolha fica excessivamente dependente da impressão pessoal.

Existe uma particularidade importante nas contratações comerciais: vendedores são profissionais treinados para gerar boa impressão, construir confiança e conduzir conversas.

Uma entrevista pouco estruturada pode selecionar quem melhor vende a própria candidatura. Isso não significa que a pessoa será quem melhor executará a função.

O candidato pode responder bem, demonstrar segurança e apresentar uma trajetória interessante. Ainda assim, pode não ter experiência com o tipo de venda, cliente, ticket, ciclo ou rotina que a empresa exige.

A entrevista precisa sair do campo das impressões e entrar no campo das evidências.

Experiência comercial é importante, mas depende do ambiente

Outra armadilha está no peso dado aos anos de experiência.

“Tem dez anos de vendas.”

A informação parece poderosa. Porém, isoladamente, diz pouco.

Uma análise mais precisa precisa investigar o ambiente onde essa experiência foi construída.

Pergunte:

  • Qual produto ou serviço o profissional vendia?
  • Qual era o ticket médio?
  • O cliente era pessoa física ou empresa?
  • Quem participava da decisão?
  • Quanto durava o ciclo comercial?
  • O vendedor prospectava ou recebia leads?
  • Quantas oportunidades administrava simultaneamente?
  • Havia equipe de pré-vendas?
  • O marketing gerava demanda?
  • A marca já era conhecida?
  • O preço era uma vantagem competitiva?
  • Qual era a meta?
  • Como a meta era calculada?
  • Qual percentual da meta era atingido?
  • Durante quanto tempo a performance foi mantida?
  • Qual era o processo de vendas?
  • Qual suporte o vendedor recebia?

Perceba a diferença.

Em vez de perguntar apenas onde o candidato trabalhou, a empresa começa a entender em quais condições ele produziu resultado.

Performance comercial não existe isoladamente. Ela acontece dentro de um sistema.

Entre os elementos que influenciam o resultado estão:

  • Produto
  • Mercado
  • Marca
  • Preço
  • Processo de vendas
  • Liderança
  • Geração de demanda
  • Ferramentas
  • Carteira
  • Treinamento
  • Remuneração
  • Qualidade dos leads

Um currículo pode mostrar experiência. A entrevista precisa revelar aderência.

O melhor vendedor da concorrência pode não ser a melhor contratação

Existe uma crença recorrente no mercado:

“Se ele vende muito no concorrente, vai vender muito aqui.”

Talvez. Mas essa conclusão não é automática.

Imagine duas empresas que vendem serviços semelhantes.

Na primeira:

  • A marca é reconhecida.
  • Existe tráfego constante.
  • O marketing gera oportunidades.
  • O vendedor recebe reuniões praticamente prontas.
  • O processo comercial está organizado.
  • Existem cases, apresentações e propostas estruturadas.
  • Um gestor acompanha os indicadores.
  • O CRM possui histórico e rotina de uso.

Na segunda:

  • A empresa ainda está desenvolvendo seu posicionamento.
  • Poucos leads chegam espontaneamente.
  • A prospecção depende do próprio vendedor.
  • Os materiais comerciais são limitados.
  • O CRM está começando.
  • O processo de vendas ainda possui falhas.
  • A liderança acompanha pouco a operação.

Estamos falando da mesma função?

No organograma, talvez. Na prática, são trabalhos completamente diferentes.

O profissional que se destaca na primeira empresa pode depender justamente da estrutura que não encontrará na segunda.

Isso não significa que ele seja um vendedor ruim. Significa que a contratação precisa considerar o ambiente, os recursos disponíveis e o nível de autonomia exigido.

A empresa precisa avaliar se está contratando alguém para operar um sistema já construído ou para ajudar a construir o próprio sistema.

São perfis diferentes.

Contratar errado custa muito mais do que salário

Quando uma contratação comercial não funciona, o cálculo do prejuízo normalmente considera salário, encargos e comissão.

Esse cálculo é incompleto.

O custo real de uma contratação errada pode incluir:

Tempo da liderança

A liderança investe horas em entrevistas, integração, treinamento, acompanhamento, feedbacks e tentativas de correção.

Esse tempo deixa de ser aplicado em decisões estratégicas, gestão da equipe e desenvolvimento da operação.

Oportunidades desperdiçadas

Leads podem ser atendidos de maneira inadequada. Follow-ups podem ser esquecidos. Negociações podem ser conduzidas sem estratégia.

Cada oportunidade perdida representa uma possibilidade de receita que talvez não volte.

Receita que deixou de acontecer

A meta que não foi atingida durante três, quatro ou seis meses não volta automaticamente quando um novo profissional entra.

O período perdido continua existindo na história financeira da empresa.

Deterioração do pipeline

Um vendedor sem método pode deixar o CRM desatualizado, registrar informações incompletas e manter oportunidades sem próxima ação.

Com isso, o gestor perde confiança na previsão comercial e passa a tomar decisões com dados frágeis.

Impacto sobre o restante da equipe

Quando alguém não entrega, outras pessoas acabam absorvendo atividades, clientes ou pressão adicional.

Esse desequilíbrio pode afetar o desempenho dos profissionais que estavam funcionando bem.

Novo ciclo de contratação

Depois do desligamento, tudo recomeça:

  • Nova divulgação
  • Novas entrevistas
  • Nova escolha
  • Nova integração
  • Nova curva de aprendizagem

Por isso, contratação comercial precisa ser tratada como uma decisão de investimento.

A empresa está escolhendo alguém que terá contato direto com clientes, oportunidades e receita.

O erro pode estar no vendedor, na empresa ou na combinação dos dois

Nem todo vendedor com baixa performance é consequência de uma contratação errada.

Às vezes, a empresa contrata corretamente e cria as condições para o fracasso.

Alguns problemas estruturais aparecem com frequência:

  • O cliente ideal não está definido.
  • A proposta de valor é genérica.
  • O preço muda constantemente.
  • A geração de demanda é insuficiente.
  • Não existe rotina comercial.
  • O CRM virou apenas uma agenda.
  • As metas foram definidas sem histórico.
  • Não existe acompanhamento da liderança.
  • Ninguém analisa as taxas de conversão.
  • Não há cadência de follow-up.
  • O vendedor recebe pouca orientação e muita cobrança.
  • A equipe não sabe quais atividades geram resultado.
  • O processo de vendas muda de acordo com cada pessoa.

Depois de algum tempo, a liderança pergunta:

“Por que ele não vende?”

A pergunta pode estar incompleta.

Também é necessário perguntar:

“Nós construímos uma operação onde um bom vendedor consegue vender?”

Essa análise evita um comportamento caro: trocar pessoas tentando corrigir problemas estruturais.

Se o problema está no sistema, substituir o vendedor apenas reinicia o ciclo.

O processo seletivo deveria testar o trabalho real

Outra mudança importante é diminuir a distância entre a entrevista e a rotina da função.

Se a atividade exige prospecção, avalie prospecção.

Se exige diagnóstico, simule uma conversa com cliente.

Se exige organização de pipeline, apresente algumas oportunidades fictícias.

Se exige negociação, crie um cenário de negociação.

Se exige construção de propostas, peça ao candidato que estruture uma proposta simples.

Perguntas comportamentais continuam importantes. Porém, o processo seletivo ganha qualidade quando o candidato precisa demonstrar raciocínio aplicado à realidade da vaga.

Alguns exemplos:

“Você recebeu 30 leads durante a semana e apenas cinco responderam. Como analisaria o problema antes de simplesmente pedir mais leads?”

“Você tem 20 oportunidades abertas no CRM. Como decide quais devem receber atenção primeiro?”

“Um potencial cliente diz que gostou da solução, mas considera o preço alto. O que você precisa descobrir antes de oferecer desconto?”

O objetivo não é encontrar uma resposta decorada.

A empresa precisa entender como o profissional pensa, quais perguntas faz, como organiza prioridades e como transforma um problema comercial em uma ação prática.

O raciocínio comercial costuma revelar mais do que respostas prontas sobre pontos fortes e fracos.

A avaliação pode considerar:

  • Clareza de raciocínio
  • Capacidade de diagnóstico
  • Organização
  • Qualidade das perguntas
  • Critério para priorização
  • Capacidade de lidar com objeções
  • Uso de dados
  • Disciplina de registro
  • Capacidade de aprender
  • Aderência ao processo de vendas

A contratação não termina quando o contrato começa

Existe outro erro frequente: a empresa investe energia no processo seletivo e considera a missão cumprida quando o candidato aceita a proposta.

Nesse momento, começa uma segunda etapa crítica: a rampagem comercial.

Um profissional novo precisa entender:

  • O mercado
  • O cliente ideal
  • Os problemas do cliente
  • O posicionamento da empresa
  • Os produtos e serviços
  • Os diferenciais
  • As objeções
  • Os concorrentes
  • O processo de vendas
  • O CRM
  • Os indicadores
  • Os critérios de qualificação
  • As políticas de preço
  • A proposta comercial
  • As expectativas de atividade
  • As metas de resultado

Sem essa preparação, a empresa deixa o vendedor aprender pela tentativa e erro.

E tentativa e erro em vendas custa oportunidades reais.

Um bom onboarding comercial deve reduzir progressivamente a incerteza:

  1. Primeiro, conhecimento.
  2. Depois, prática acompanhada.
  3. Em seguida, execução.
  4. Por fim, análise de performance e ajustes.

Cobrar resultado sem garantir contexto, processo e treinamento pode produzir ansiedade e improvisação.

O vendedor precisa saber o que fazer, por que fazer, como registrar, como priorizar e quais critérios serão usados para avaliar seu desempenho.

Quanto tempo esperar para avaliar um vendedor?

Essa pergunta raramente possui uma resposta universal.

O tempo de avaliação depende do ciclo de vendas, do ticket, da complexidade da oferta e do volume de oportunidades.

Se o ciclo médio é de sete dias, esperar seis meses para avaliar sinais de performance parece excessivo.

Se o ciclo é de nove meses, avaliar o vendedor apenas pelo faturamento do segundo mês também seria inadequado.

Por isso, a gestão comercial precisa trabalhar com indicadores antecedentes.

Antes da receita, existem comportamentos e avanços que podem ser medidos:

  • Número de novas oportunidades
  • Taxa de contato
  • Reuniões realizadas
  • Oportunidades qualificadas
  • Propostas enviadas
  • Follow-ups realizados
  • Avanço entre etapas
  • Tempo médio por etapa
  • Qualidade dos registros no CRM
  • Taxa de conversão

Mesmo antes de fechar vendas suficientes para uma avaliação definitiva, esses indicadores mostram se a operação está evoluindo.

A empresa passa a analisar tendência, comportamento e avanço no processo de vendas. O resultado final continua importante, mas deixa de ser o único elemento de análise.

Metas e remuneração também selecionam comportamento

O modelo de remuneração não apenas paga o vendedor. Ele orienta comportamento.

Uma comissão concentrada somente na entrada de novos clientes pode estimular aquisição, mas criar pouco interesse na qualidade da venda.

Uma remuneração excessivamente fixa pode reduzir o incentivo variável em algumas operações.

Um modelo agressivamente variável pode aumentar a pressão por fechamentos inadequados.

Metas mal desenhadas podem estimular:

  • Descontos excessivos
  • Vendas pouco qualificadas
  • Promessas difíceis de cumprir
  • Competição interna destrutiva
  • Negligência no pós-venda
  • Concentração em oportunidades fáceis
  • Abandono de atividades importantes, mas menos imediatas

Por isso, a remuneração deve refletir o comportamento comercial que a empresa deseja construir.

O mesmo vale para as metas.

Uma meta não deveria ser escolhida apenas porque parece desafiadora. Ela precisa conversar com:

  • Capacidade de geração de oportunidades
  • Ticket médio
  • Taxa de conversão
  • Duração do ciclo comercial
  • Capacidade operacional
  • Histórico da empresa
  • Maturidade do processo de vendas
  • Tamanho e experiência da equipe

Caso contrário, a empresa contrata alguém para perseguir uma matemática impossível.

O ponto central é a aderência ao trabalho real

Se fosse necessário resumir esta discussão em um princípio, seria este:

A melhor contratação não é necessariamente o candidato mais impressionante. É aquele com maior aderência ao trabalho real que precisa ser executado.

Isso exige que a empresa conheça a própria operação antes de avaliar o mercado de profissionais.

Essa costuma ser a parte mais difícil.

Contratar melhor obriga a liderança a responder perguntas que muitas vezes ainda estão abertas dentro do próprio negócio:

  • Quem é o cliente ideal?
  • Como vendemos?
  • Que comportamento gera resultado?
  • Onde estão os gargalos?
  • Qual papel essa pessoa realmente terá?
  • Como mediremos sucesso?
  • O que a empresa fornecerá?
  • O que esperamos que o profissional construa?
  • Quais atividades precisam ser executadas diariamente?

Quanto mais claras forem essas respostas, maior tende a ser a qualidade da contratação.

O currículo continua importante. A experiência continua importante. A entrevista continua importante.

Mas todos esses elementos precisam ser avaliados em relação ao contexto da operação.

Antes da próxima vaga, faça este exercício

Antes de escrever a descrição da próxima vaga comercial, complete esta frase:

“Precisamos de uma pessoa capaz de…”

Não use adjetivos.

Evite escrever “proativa”, “comunicativa”, “resiliente” ou “dinâmica”.

Descreva ações.

Por exemplo:

“Precisamos de uma pessoa capaz de identificar empresas dentro do nosso perfil de cliente ideal, iniciar novas conversas, realizar reuniões de diagnóstico, registrar corretamente as oportunidades no CRM, construir propostas e conduzir follow-ups até a decisão.”

Agora a vaga começa a ganhar forma.

Depois, pergunte:

“Que evidências preciso encontrar durante o processo seletivo para acreditar que essa pessoa consegue executar essas atividades?”

A partir daí, currículo, entrevista, testes e referências passam a ter um objetivo claro.

O processo deixa de ser uma avaliação subjetiva sobre quem parece melhor.

Passa a ser uma investigação sobre aderência.

Contratação comercial é estratégia de crescimento

Uma operação comercial não melhora apenas colocando mais vendedores dentro dela.

Às vezes, isso apenas multiplica problemas existentes.

Crescimento exige alinhamento entre:

  • Estratégia
  • Processo de vendas
  • Pessoas
  • Gestão
  • Indicadores
  • Tecnologia
  • Marketing
  • Oferta
  • Experiência do cliente

O vendedor é parte central dessa engrenagem, mas não trabalha isoladamente.

Antes de perguntar como contratar mais vendedores, a empresa precisa responder:

“Qual perfil de vendedor esta operação realmente precisa para crescer?”

Essa pergunta direciona a descrição da vaga, a entrevista, o teste prático, o onboarding, as metas e a gestão da performance.

Se sua empresa está contratando, estruturando ou ampliando uma equipe comercial, comece avaliando o processo de vendas e as condições oferecidas ao time.

O Diagnóstico Estratégico da MRCA pode ajudar a identificar gargalos na operação, na gestão comercial e na estrutura necessária para sustentar o crescimento.

Perguntas frequentes sobre processo de vendas e contratação de vendedores

Como saber se o problema está no vendedor ou no processo de vendas?

Analise os indicadores, o contexto da função, a qualidade dos leads, o cumprimento das etapas, o uso do CRM, o treinamento e a clareza das metas.

Se diferentes vendedores enfrentam o mesmo problema, existe maior probabilidade de haver uma falha estrutural na operação.

O que avaliar antes de contratar um vendedor?

Defina o perfil de cliente, o ciclo de vendas, o ticket médio, as atividades da função, o nível de autonomia, os indicadores e o suporte disponível.

Depois, transforme essas informações em critérios objetivos de seleção.

O melhor vendedor da concorrência sempre será uma boa contratação?

Não. O resultado de um vendedor depende do ambiente em que ele trabalha.

Uma pessoa que performa bem com leads qualificados, marca forte e processo estruturado pode ter dificuldades em uma empresa que exige prospecção do zero e alta autonomia.

Quanto tempo é necessário para avaliar um vendedor novo?

Depende do ciclo de vendas e da complexidade da operação.

A empresa deve acompanhar indicadores antecedentes, como contatos, reuniões, oportunidades qualificadas, propostas, follow-ups e avanço no pipeline, antes de analisar apenas a receita final.

Como melhorar o processo de contratação comercial?

Comece descrevendo o trabalho real. Depois, avalie se o candidato possui evidências de que consegue executar as atividades exigidas.

Testes práticos, simulações, perguntas situacionais e referências profissionais ajudam a reduzir decisões baseadas apenas em impressão pessoal.

O processo de vendas influencia a performance do vendedor?

Sim. A performance depende da combinação entre perfil profissional, oferta, mercado, geração de oportunidades, processo, ferramentas, treinamento, gestão e remuneração.

Por isso, a análise do vendedor precisa considerar o sistema comercial em que ele está inserido.